NATAL DE ELVAS
Eu hei-de dar ao Menino
Uma fitinha pró chapéu
E ele também me há-de dar
Um lugarzinho no céu.
Olhei para o céu
Estava estrelado
Vi o Deus Menino
Em palhas deitado.
Em palhas deitado,
Em palhas estendido,
Filho duma rosa,
Dum cravo nascido!
No seio da Virgem Maria
Encarnou a divina graça;
Entrou e saiu por ela
Como o sol pela vidraça.
Arre, burriquito,
Vamos a Belém,
A ver o Menino
Que a senhora tem;
Que a senhora tem,
Que a senhora adora
Arre burriquito,
Vamos-nos embora.
Esta música está na base de um dos melhores sketches de Herman José. A discórdia entre o Pai Natal (Herman) e o Menino Jesus (Miguel Guilherme) está a ser resolvida no Juiz Decide. Segundo o Pai Natal, o miúdo ou está estendido ou está deitado enquanto ele passa as noites de Natal atarefado a levar prendas para as crianças de chaminé em chaminé, portanto ele é que deveria ser eleito a verdadeira figura natalícia. Não me lembro das alegações do Menino, só me lembro que os actores não conseguiam evitar rir. E no fim, o Juiz (José Pedro Gomes) levanta-se e com voz de quem está aflito para ir fazer as suas necessidades e diz: "A sessão está interrompida para deliberações. Eu vou ali dar uma deliberada e já venho".
Tenho saudades do Herman que surpreendia, do génio aplicado ao humor.